Segunda-feira, 4 de Novembro de 2013

JÁ NÃO HÁ PROVÍNCIA?

 

William Henry Chandler

 

Stephen Lyman - Moonfire

 

Da “Globalização” é dito ter uniformizado usos e costumes; assemelhar o que antes era diverso no mundo rico, porque ao pobre pouco ou nada acrescentou. Subtraiu, dizem muitos. Contraponho a divulgação de martírios que sem os cabos óticos e satélites  – veículos essenciais - continuariam restritos às vítimas. “Globalização”, em si, não é um mal. O que com ela é feito, isso sim!, pode acarretar mais-valias ou empobrecimento dos seres, do ambiente, do planeta em geral.

 

Quem longe de Lisboa passa temporadas e atenta nos redores encontra substantivas mudanças nas urbes e nas gentes. Analisando de fora para dentro, sobressai o cuidado das autarquias no asseio, na preservação e melhorias arquitetónicas. É ido o tempo das latas velhas nas lixeiras de beira da estrada, dos casebres, da vil decadência dos lugares. Há rotundas, sim, demasiadas, mas estão ajardinadas e as valetas limpas. É certo que as moradias, quanto mais expostas a quem passa melhor!, empatam a circulação viária – estendendidos os vilarejos pelas bordas dos acessos, o limite de cinquenta horário é tormento nas retas preguiçosas.

 

Onde antes era “terra de ninguém”, agora, existem infraestruturas de apoio social. Abundam pavilhões gimnodesportivos, centros de saúde – alguns, raros, qualificados humana e tecnologicamente -, atividades culturais, museus, galerias de arte, abertura dos autarcas aos apelos e necessidades dos cidadãos. A economia tem polos disseminados. Os bens produzidos e as matérias-primas circulam sem atropelos pelas «As» e «IPs». A empobrecida rede ferroviária, todavia, serve com dignidade e conforto quem por carris escolhe circular. Os autocarros encontram-se à mão de quem semeia e quer colher. As distâncias encurtaram e destes factos não há que duvidar.

 

No estar das gentes existem as diferenças maiores com os centros cosmopolitas – o duo Lisboa/Porto pontifica neste particular. A afabilidade, traduzida ou não em saudações, o polimento, arranjo na imagem, o “falar com” e o espírito hospitaleiro são tesouros dos meios rurais. A solidariedade tem rosto e nome. A vigilância (mesquinha?) da vida alheia tem contrapartida a lembrar: se «fulano de tal» falta à leitura do jornal no café do centro, logo alguém lhe bate à porta para confirmar se a saúde não pregou indesejada partida. É necessária ajuda em casa ou fora dela? Não faltam préstimos.

 

O “Portugal profundo” que enche a boca daqueles cujos interesses obscuros(?) o convocam, está cada vez mais fundo. Se pelo conceito evasivo forem entendidas áreas remotas de pobreza e desproteção, a mancha que ocupam e houvera diminuído, aumentou.

 

Ao falarmos da «província» com ar displicente, por fineza, dobremos a língua. Com ela muito temos a aprender.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:54
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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

DE ANTEONTEM PARA HOJE

William Henry Chandler

 

Isento de suspeição o acordar pelas sete habituais que voz querida sabia e, por isso, marcou número. Desafio irresistível _ “ Pelas dez, estou aí. Enfia trapos e precisões numa mala que seguimos por aí acima até o Prado nos ver.” Estremunhada, ainda balbuciou objecção de porcelana para, logo, assentir _ Pois se era o que mais desejava e só a rodilha do sono a impediu da normal lucidez no querer… Uma volta pelo AKI para compra de tintas e pincéis e mais instrumentos e produtos desconhecidos para no Prado continuar o restauro. Até Junho, antes da obstinação de recuperar onze divisões maltratadas por duas décadas e picos de abandono, o sítio metia dó a quem lhe conhecera o esplendor.

 

A subida da Grande Alface até às faldas montanhesas pareceu tiro sem dano no espírito aventureiro e no corpo de quem usa mãos e braços para outros delicados e prazenteiros fins. Chegando, troca de roupa citadina por outra adaptada a diluentes e martelos e sprays milagrosos capazes de fazerem rodar pinchos, dobradiças, torneiras de segurança teimosas em saírem da imobilidade/rotina solitária de quem há muito não sente afagos e se esqueceu do que são. A montanha iluminada por entardecer hesitando entre o soalheiro e o nublado acrescia mistério e bem-aventurança aos que desfrutavam o titubear experimentando ‘sangue de boi’ no ferro duma janela das águas-furtadas. Foi rejeitado por unanimidade. Aprovado sem abstenções em vez de cinza claro nas paredes, branco puro, janelas cinza em mistura com laivos de azul goteado, ferros exteriores, esses sim, no tal vermelho sanguíneo no ponto de secar. Por dentro, brancura, portas e aros e arcos e tectos de madeira sã pintada em cinza igual ao das janelas. Enceradas e luzentes as tábuas do soalho. Móveis restaurados ou disfarçados ou trocados por outros que esperam utilidade no sótão de casa outra. O descrito é futuro esperançado. O presente é composto de lixo, terra infiltrada, madeiras saudáveis cobertas pela mistela, janelas descascadas, vidros partidos, nogueira cujos frutos foram roubados, uvas moscatel como vestígio resistente. Afortunado.

 

Hoje ficou limpo o balcão das silvas enroladas na glicínia outrora pujante, agora seca até ao âmago, retirados «sacões» de inutilidades dos muitos baús e das paredes e dos móveis, descobertos tesouros, decidido o que fazer do espaço reservado à antiga capela, uma casa de banho mereceu diagnóstico do necessário, cirurgia no premente. Resultou. Amanhã muito haverá para fazer e dele retirar prazer.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 16:18
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