Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

DÓ, RÉ, MI EM XILOFONES SÍNCRONOS

Walter Girotto, Wmb Hoyt, Perrin Sparks, Yossi Rosenstein

 

Mudanças boas. Assinaláveis por quem não desiste de observar acções e reacções sem Física que as comande. O estar social alterou-se e se, no início, obrigou a atitudes engasgadas porque novas, no presente, adaptação interior feita, palavras e gestos fluem naturalmente. Começou pela inocente pergunta sobre o bem-estar da Luisinha, coincidindo o acaso em encontro a sós com o marido. Ele titubeava até, a contra-gosto, revelar que estavam apartados, divorciados, que o «nós» deles era passado. Não sendo amigo-do-peito, o interlocutor agastava-se contra a língua comprida que não censurara. Mas tinha desculpa _ era o começo da banalização do conceito de 'novas famílias', 'famílias disfuncionais' associadas a divórcios, porque o casamento regia famílias perfeitas, tocando dó, ré, mi em xilofones síncronos. Engano sabido, quando assinar papel era registo de propriedade pelo qual os nubentes esperavam acrescentar marquises e remodelar cozinha e sala e quarto, na modelação progressiva do parceiro/apartamento sem precisarem de autorização camarária e com o gostinho perverso da clandestinidade, olhada de fora a relação casada/casa. Mas os humanos não são propriedade/hipoteca para a vida. Ser equiparado a prevista marquise de alumínio a muitos não serve. E vêm quezílias de fundo quando o parceiro é impossível de remodelar para obedecer ao design previsto pelo cônjuge. E o sonho de contrato para a vida a troco de cavalos muitos em dois nos lugares da garagem e segunda habitação e filhos de pais com amuos mas que ficam juntos sempre e acima de tudo o que separa e destrói gosto, vai sendo triturado pela ilusão das felicidades urgentes, estas, sim, as 'tais'. Mas, vezes algumas, não, apenas novo apartamento com oculta lavandaria-projecto consubstanciada no arranjo progressivo do outro, ainda que suma espaço da cozinha/parceira.

 

Duas mulheres conversam. Podiam ser homens. Aproxima-se terceira amiga. Com riso vero, é dito:

_ Surpresa! Vou ser avó.

Abraço forte, beijo na face, resposta:

 _ De quantos meses está a Carolina?

_ O bebé deve nascer em Fevereiro.

_ Parabéns, minha querida. Beijinhos para a nossa menina.

_ Não te esqueças que fará 26 e vão longe os 14 em que a conheceste.

_ Já? Passa tempo e nós ficamos; renovam-se vidas. Que maravilha!

Por questionar se a Carolina casou. Que importa? Vai ser mãe a menina mulher e a família com ela. Gente feliz limpa de mofo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:18
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