Sábado, 28 de Dezembro de 2013

CASA EM DESORDEM

 

  

Autor que não foi possível identificar                                                                                  Antonio Bartolo - A Brasileira

 

Garantia do poder entronado na governação. E uma mulher sai de casa para abastecer o despenseiro e, por três sacos com básico carrego, sofre um baque ao pagar. Se estava acostumada à Zara, muda para o chinês do bairro. Tendo cabelo rebelde, lava-o em casa e chega, pingona, ao cabeleireiro para um ‘brushing simplex’. Com a magra poupança, arrisca a manicura. À borla, lê as últimas leviandades dos famosos, o horóscopo semanal, receitas de culinária que enganem, a baixo custo, dente e olho, dicas para caçar um homem ou conservar o que tem. Anima-a ser tratada por menina, não esticar os braços durante meia hora para fatiar o cabelo que o secador esturrica, sair com as unhas coruscantes. Sabe como sol de pouca dura os luziratos coloridos – porque abdicou de empregada e pela falta de hábito, esquece o uso de luvas que protejam as mãos dos detergentes e esfregões. Talvez, pela noitinha, as besunte com um creme barato, se o cansaço não a levar para a cama sem mais lhe ocorrer que lavar rosto e dentes. Nem olha para a pele do corpo, outrora macia, hoje escamada pela secura. Ainda assim, louva a bem-aventurança da família, o trabalho que a sustenta e também preenche. Arregaça mangas e vontade em cada amanhecer.

 

A casa não está em ordem, nem, um dia, ficará. São parcos os haveres que o país não quer ou sabe adubar para depois, e por todos, distribuir. De outros «teres» possuímos fartura, alguns herdados, outros a cada dia adquiridos: o soalheiro e marítimo solo, outrora dito pátrio, na literatura, páginas de ouro que uma vida não chega para saborear, epopeias que extremos da Terra lembram, tradições e beleza que, independentes do suporte artístico, iluminam o olhar. E é gratuita a caminhada na areia que o vaguear do oceano molhou; gozar frescura e excelência na penumbra de uma igreja ou de um museu; acantonar o corpo nas sombras desdobradas pelo casario; navegar numa tela; «lamber» as formas que o cinzel esculpiu; descobrir que poucas são as vielas e os becos sem saída.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:00
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

A CASA ESTÁ EM ORDEM

 

Heather Neill

 

Garantia do poder entronado na governação. E uma mulher sai de casa para abastecer o despenseiro e, por três sacos com básico carrego, sofre um baque ao pagar. Se estava acostumada à Zara, muda para o chinês do bairro. Tendo cabelo rebelde, lava-o em casa e chega, pingona, ao cabeleireiro para um brushing simplex. Com a magra poupança, arrisca a manicura. À borla, lê as últimas leviandades dos famosos, o horóscopo semanal, receitas de culinária que enganem, a baixo custo, dente e olho, dicas para caçar um homem ou conservar o que tem. Anima-a ser tratada por menina, não esticar os braços durante meia hora para fatiar o cabelo que o secador esturrica, sair com as unhas coruscantes. Sabe como sol de pouca dura os luziratos coloridos – porque abdicou de empregada e pela falta de hábito, esquece o uso de luvas que protejam as mãos dos detergentes e esfregões. Talvez, pela noitinha, as besunte com um creme barato, se o cansaço não a levar para a cama sem mais lhe ocorrer que lavar rosto e dentes. Nem olha para a pele do corpo, outrora macia, hoje escamada pela secura. Ainda assim, louva a bem-aventurança da família, o trabalho que a sustenta e também preenche. Arregaça mangas e vontade em cada amanhecer.

 

A casa não está em ordem, nem, um dia, ficará. São parcos os haveres que o país não quer ou sabe adubar para depois, e por todos, distribuir. De outros «teres» possuímos fartura, alguns herdados, outros a cada dia, adquiridos: o soalheiro e marítimo solo, outrora dito pátrio, na literatura páginas de ouro que uma vida não chega para saborear, epopeias que extremos da Terra lembram, tradições e beleza que, independentes do suporte artístico, iluminam o olhar. E é gratuita a caminhada na areia que o vaguear do oceano molhou; gozar frescura e excelência na penumbra de uma igreja ou de um museu; acantonar o corpo nas sombras desdobradas pelo casario; navegar numa tela; «lamber» as formas que o cinzel esculpiu; descobrir que poucas são as vielas e os becos sem saída.

 

CAFÉ DA TARDE

 

publicado por Maria Brojo às 17:15
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